Washington toma posição sobre a presença iraniana
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio afirmou na quinta-feira que os futebolistas do Irão têm plena autorização para participar no Mundial 2026, que se realiza nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Falando aos jornalistas na Sala Oval, Rubio foi directo: ninguém do governo americano comunicou à selecção iraniana que não poderia entrar no país.
A declaração surge na sequência de uma proposta que circulou publicamente, segundo a qual a Itália poderia ocupar o lugar do Irão na fase final do torneio. Rubio distanciou o governo norte-americano dessa ideia de forma inequívoca.
A questão dos CGRI e as possíveis restrições
Still, Rubio deixou uma ressalva de peso: elementos da delegação iraniana que mantenham ligações comprovadas ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) poderão ser impedidos de entrar em território norte-americano. Os Estados Unidos classificam o CGRI como organização terrorista, posição partilhada por vários outros governos.
A distinção é relevante. A proibição não recairia sobre os futebolistas enquanto desportistas, mas sim sobre figuras da estrutura oficial da delegação que possam estar associadas àquela força militar e política. A fronteira entre os dois grupos permanece, por ora, por definir publicamente.
O Irão no Mundial 2026
A selecção iraniana qualificou-se para o torneio e integra o grupo dos países participantes. O Mundial 2026 será o maior de sempre, com 48 selecções em competição, e vários jogos da fase de grupos decorrerão em cidades norte-americanas.
A presença de países com relações diplomáticas tensas com Washington levanta questões logísticas e políticas que os organizadores terão inevitavelmente de gerir. O caso do Irão é, neste momento, o mais mediático, mas dificilmente será o único a gerar debate nos meses que antecedem o arranque da competição.
Itália fora da equação — por agora
A Itália, recorde-se, não se qualificou para o Mundial 2026, ficando eliminada na fase de apuramento europeu. A proposta de a incluir em substituição do Irão nunca teve base regulamentar sólida e a FIFA não se pronunciou em sentido favorável a qualquer alteração da lista de participantes.
Rubio não desenvolveu a origem concreta da proposta nem indicou se alguma entidade governamental a terá considerado formalmente. A posição oficial é, para já, a de que o processo de qualificação deve ser respeitado.
O que acompanhar nos próximos meses
A questão das acreditações e vistos para membros de delegações com eventuais ligações ao CGRI será um tema a seguir de perto à medida que o Mundial se aproxima. A FIFA e o comité organizador terão de coordenar com as autoridades norte-americanas um protocolo claro — a ausência de regras transparentes pode transformar cada caso numa nova polémica diplomática antes de uma bola ser sequer rolada.